Resenha do Documentário – O brilho da morte: 30 anos do césio 137

Sodré GB Neto

Apenas 19 gramas de Cesio 137 geraram 40.000 tonaledas de rejeito

Em 1985 o instituto goianio de radiologia deixou de existir , o equipamento que era usado para radioterapia, ficou no local que segundo os proprietarios foram proibidos por uma liminar da justiça de tirá-lo do local. Abandonado foi roubado e levado para rua 57 onde ficou debaixo de uma mangueira até ser vendido pra um ferro velho na rua 26A, do proprietario Sr. Devair que já começou apresentar sintomas .

O irmão de Devair fricionou na mão , Odesson Ferreira. E sua mão ficou assim:



Ivo Ferreira era irmão de Devair e levou o pó pra sua filha Leide , que comeu ovo com a mão suja de Cesio-137. Ela foi imediatamente afetada.

O Devair era apaixonado pelo pó brilhante e disse “eu me apaixonei pelo brilho da morte ” e negava que aquilo estava causando doença. Marilia Gabriela , sua esposa, foi quem encaminhou o material a vigilancia Sanitaria , junto com Guilherme , com o pó enrolado num saco de estopa; pegaram o ônibus público e percorreram 2km até a vigilancia sanitária onde o pó que foi observado pelo fisico Valter Mendes.

A jornalista Mirian Thomé tomou conhecimenbto do problema e começou a entrevistar as vítimas.

As ordens a diversos profissionais incubidos de resolver o problema foram mentirosas alegando que era vazamento de gas, não deram roupas de proteção (EPIs apropriadas) nem cuidados especiais ou orientações fazendo com que se expusessem , algumas até tirando foto com a morte ao lado

Passados alguns dias que começaram a dar ordens para que se usassem roupas especiais e aparelhos que alertavam radiação :

Houve uma reação de histeria da população no cemiterio contra as vitimas do Cesio 137 que passaram a ser discriminados.

Houve casos de Motorista de caminhão que em 2 meses após o contato morreu de câncer.

Os documentarios revelam que a tragédia radioativa de Goiânia só é menor que a tragédia do caráter humano que até hoje não dá assistencias as muitas vitimas deste acidente . Foi e ainda é descaso total, enganaram policiais, bombeiros, agentes de limpeza sem proteção nenhuma , caminhoneiros , a entrar em contato com material radioativo, dizendo que era um vazamento de gás…pura mentira e falta de caráter .

Os relatos das atuais vítimas sobreviventes chegam a cortar o coração: “Hoje eu teria que tomar 5 medicações de uso contínuo, só estou com 2. Porque os outros eu não dou conta de comprar…” Loudes das Neves, mãe de Leide . Isso gera uma revolta redobrada com um governo que não fiscaliza e monitora equipamentos radioativos e ainda não dá assistência as vítimas da sua negligência.

Link do Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=q3H1M68Rtf0

Link do video 2: https://www.youtube.com/watch?v=gCcTxnvZb-k

Estes documentarios do acidente radiológico trágico e dramático de Goiânia-GO, revelou não somente ao Brasil, mas a todo mundo, a inegociável necessidade de total acompanhamento do destino de todo equipamento e artefato contendo material radioativo. Nada contendo tais elementos deveria participar de destino que não seja assinado termo de responsabilidade do adquirinte (no caso pessoas compram muito equipamentos de leilão de materiais hospitalares) , conscientizando o mesmo dos perigos inerentes , ou que uma vez que entraram em desuso, deverão ser destinados imediatamente a depósitos especializados em lixo radioativo. E não ficar jogado em qualquer canto como foi o caso de Goiânia.

Dor, medo, pânico e dúvida. Discriminação, segregação e morte de vítimas , com danos irreversíveis à vida e ao meio ambiente.

Foram tantas irregularidades que chega a ser difícil saber por onde começar. Na fase que compreende o acidente, me parece que o descaso recai para a clínica radiológica, já que o prédio havia sido desocupado, e no entanto, a máquina que continha o Césio continuava lá, como um lixo qualquer.

Logo após vem a negligência pública, ou seja, quando o aparato político já sabia exatamente o que andava acontecendo, mas ainda assim mascarava a fatalidade como um vazamento de gás. PM e Bombeiros trabalhando enganados sem nenhuma proteção, além das pessoas que foram contratadas para a descontaminação das áreas atingidas. Hoje há vítimas que perderam familiares, que convivem com o desprezo social somados a falta de assistência ..

Só no ano de 2287 que o efeito radioativo poderá  acabar segundo os dados que sabemos.

Parabens a Marilia Gabriela que levou ao conhecimento da vigilancia sanitaria



Maior acidente radiológico do mundo, césio-137 completa 26 anos

No âmbito radioativo, tragédia só não foi maior do que a de Chernobyl.
Sobreviventes reclamam de descaso; lixo contaminado foi enterrado.

Há exatos 26 anos, Goiânia era atingida por aquele que é considerado o maior acidente radiológico do mundo. A tragédia envolvendo o césio-137 deixou centenas de pessoas mortas contaminadas pelo elemento e outras tantas com sequelas irreversíveis. No ano passado, o G1publicou uma série de reportagens especiais relembrando os 25 anos do acidente.

No âmbito radioativo, o Césio 137 só não foi maior que o acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). O incidente teve início depois que dois jovens catadores de papel encontraram e abriram um aparelho contendo o elemento radioativo. A peça foi achada em um prédio abandonado, onde funcionava uma clínica desativada.saiba mais

Mesmo passadas mais de duas décadas da tragédia, o acidente ainda deixa resquícios de medo. Um exemplo é a situação do local onde morava uma das pessoas que encontraram a peça. A casa em que vivia o catador foi demolida no mesmo ano em que tudo ocorreu. Apesar de o solo ter sido todo retirado e ter sido substituído por várias camadas de concreto, nunca mais qualquer tipo de construção foi feita no local.

Riscos
Segundo o supervisor de radiodivisão César Luis Vieira, que também trabalhou na época do acidente, o risco de contaminação em Goiânia foi praticamente extinto. “Se for comparar o resultado de hoje com o da época, é uma diferença [de radiação] quase mil vezes menor”, afirma.

César explica ainda que o nível de radiação da cidade é considerado dentro dos padrões normais. “Não há nenhum lugar que não tenha material radioativo, como, por exemplo, o urânio, que está no solo. É o que a gente chama de radiação natural, mas que não oferece risco”, complementa.Lote da Rua 57, no Centro de Goiânia, foi um dos locais contaminados pelo césio-137 e até hoje segue inabitado (Foto: Adriano Zago/G1)Lote da Rua 57, no Centro de Goiânia, foi um dos locais contaminados pelo césio-137 e até hoje segue inabitado (Foto: Adriano Zago/G1)

Cerca de 6 mil toneladas de lixo radioativo foram recolhidas na capital goiana após o acidente. Todo esse material com suspeita de contaminação foi levado  para a unidade de do Cnen em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana da capita, onde foi enterrado.

Passadas mais de duas décadas, os resíduos já perderam metade da radiação. No entanto, o risco completo de radiação só deve desaparecer em pelo menos 275 anos.

Reclamações
Para relembrar o acidente, aconteceu nesta sexta-feira uma reunião na Assembleia Legislativa com mais de 100 vítimas do Césio 137. A maioria deles ainda tem sequelas contraídas durante o episódio.

O aposentado Teodoro Bispo, que trabalhou na descontaminação da área afetada pelo acidente, teve problemas em várias partes do corpo, principalmente na visão, por causa do contato com o elemento radioativo. Ele cobrou melhorias na assistência hospitalar e mais atenção do poder público para as vítimas.

“Eles falam que não iríamos ter nada, mas tem muita gente morrendo. A gente se sente abandonado. Nós que descontaminamos Goiânia recebemos apenas R$ 622”, lamenta.Depósito de rejeitos do Césio-137 em Abadia de Goiás foi alvo de polêmica (Foto: Adriano Zago/G1)Depósito de rejeitos do Césio-137 estão enterrado
em Abadia de Goiás (Foto: Adriano Zago/G1)

Contaminação
A tragédia começou quando dois jovens catadores de materiais recicláveis abrem um aparelho de radioterapia em um prédio público abandonado, no dia 13 de setembro de 1987, no Centro de Goiânia. Eles pensavam em retirar o chumbo e o metal para vender e ignoravam que dentro do equipamento havia uma cápsula contendo césio-137, um metal radioativo.

Apesar de o aparelho pesar cerca de 100 kg, a dupla o levou para casa de um deles, no Centro. Já no primeiro dia de contato com o material, ambos começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, como tonteiras, náuseas e vômitos. Inicialmente, não associaram o mal-estar ao césio-137, e sim à alimentação.

Depois de cinco dias, o equipamento foi vendido para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho localizado no Setor Aeroporto, também na região central da cidade. Neste local, a cápsula foi aberta e, à noite, Devair constatou que o material tinha um brilho azul intenso e levou o material para dentro de casa.

Devair, sua esposa Maria Gabriela Ferreira e outros membros de sua família também começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, sem fazer ideia do que tinham em casa. Ele continuava fascinado pelo brilho do material. Entre os dias 19 e 26 de setembro, a cápsula com o césio foi mostrada para várias pessoas que passaram pelo ferro-velho e também pela casa da família.

Leide das Neves
A primeira vítima fatal do acidente radiológico foi a garota  Leide das Neves Ferreira, de 6 anos. Ela se tornou o símbolo dessa tragédia e morreu depois de se encantar com o pó radioativo que brilhava durante a noite.

A menina ainda fez um lanche depois de brincar com a novidade, acabou ingerindo, acidentalmente, partículas do pó misturadas ao alimento. Isso aconteceu longe dos olhos da mãe, Lourdes das Neves Ferreira.

Em entrevista concedida ao G1 no ano passado, Lourdes disse que se sente culpada pela morte da filha. “Fica passando um filme na minha cabeça. São 25 anos de sofrimento, de dor, de tristeza e de angústia. Eu me arrependo e cobro de mim mesma. Se eu não tivesse ido tomar banho, talvez ela não tivesse ingerido [partículas de pó do césio]”, disse.

Leide das Neves, 6 anos, foi a primeira vítima do césio-137, e se tornou símbolo da tragédia em Goiás (Foto: Reprodução / TV Anhanguera)

Primeira Fase
Na manhã de 30 de setembro, a bolsa,
que havia sido levada para a Vigilância Sanitária
e que ainda continha os restos da fonte
radioativa, foi monitorada. Os índices
apresentados eram de: 10 Sv/h (1000 R/h)
próximo à superfície e 0,4 Sv/h (40 R/h) cerca
de um metro da fonte. Em uma operação de
urgência, a fonte e a cadeira onde essa havia
sido depositada foram cimentadas, reduzindo-se
substancialmente a taxa de dose no local.

Nesta opera

s.
Nesta operação, foram monitoradas
cerca de 113.000 mil pessoas, das quais 249
apresentaram algum grau de contaminação.
Destas, 129 tinham apenas o vestuário
contaminado, restando 120, com contaminações
externa e/ou interna. Com sinais de
superexposição haviam 22 pessoas, que foram
de imediato transferidas para o Hospital de
Doenças Tropicais – HDT/Goiânia, onde
receberam tratamento especializado. Ao longo
das primeiras semanas, em virtude do estado
grave em que se encontravam, 11 pacientes
foram transferidos para o Hospital Naval
Marcílio Dias, no Rio de Janeiro.
Outra ação paralela importante foi a
identificação, controle e isolamento dos focos de
contaminação objetivando conter seu
espalhamento.



Roteiro – Radiação

  1. O que são isótopos? Conceitue número de massa, número atômico e quais são os componentes do átomo.
  2. O que é radioatividade? O que é o decaimento de um átomo? Por que um átomo decai?
  3. Qual a diferença entre radioatividade e radiação?
  4. Que transformações as partículas nucleares podem sofrer?
  5. Quais são e como se dão as emissões radioativas primárias e secundárias?
  6. Quais as características de uma radiação alfa, beta e gama?
  7. O que é o espectro eletromagnético? Qual a diferença entre um raio-x, raio gama e raio de luz?
  8. O que acontece com um átomo quando ele emite radiação alfa, beta ou gama?
  9. Como se dá a interação das radiações com a matéria?
  10. O que é meia-vida de um elemento radioativo?
  11. Com relação a detectores de radiação (Eletroscópio de lauritsen, Contador Geiger-Muller, Cintiladores líquidos, diodos semicondutores e filmes radiográficos), como eles funcionam? Em que situação pode-se utilizar cada um deles? Como eles podem ser utilizados na proteção individual e ambiental?
  12. O que são doses-limites? Quem determina as mesmas, qual o órgão brasileiro responsável pela utilização de fontes de radiação no Brasil?
  13. O que é ser irradiado? E ser radioativo?
  14. Como a radiação interage com um organismo? O que são efeitos diretos e indiretos?
  15. Como a radiação danifica as macromoléculas (DNA, proteínas, lipídeos…). As mesmas podem ser reparas? Como?
  16. Que fatores alteram a sensibilidade de uma célula à radiação?
  17. Como podemos proteger uma célula ou uma pessoa dos efeitos de uma radiação? Como torná-las mais suscetíveis a esses efeitos?
  18. Em que situações você tornaria uma pessoa/tecido/célula mais sensível à radiação?
  19. Em um tratamento radioterápico, podem ser utilizadas diferentes fontes de radiação (alfa, beta e gama). Em que situações utilizamos cada uma das radiações? Quando se utiliza uma única sessão ou diversas sessões de radioterapia.