Comentários e dúvidas sobre capítulos 1, 2 e 3 do Dalgalarrondo

Parte I: Aspectos gerais da psicopatologia
Capítulo 1 | Introdução geral à semiologia psiquiátrica

Um dia escrevi que tudo é autobiografia, que a vida de cada um de nós a estamos contando em tudo quanto fazemos e dizemos, nos gestos, na maneira como nos sentamos, como andamos e olhamos, como viramos a cabeça ou apanhamos um objeto no chão. Queria eu dizer então que, vivendo rodeados de sinais, nós próprios somos um sistema de sinais.” José Saramago

La Pragmática en la Semiótica de Morris – Pragmática UBU



Semântica

Sintaxe

Pragmática

“A semântica, responsável pelo estudo das relações entre os signos e os objetos a que se referem; a sintaxe, que compreende as regras e leis que regem as relações entre os vários signos de um sistema; e, por fim, a pragmática, que e ocupa das relações entre os signos e seus usuários, os sujeitos que os utilizam concretamente, em situações e ontextos sociais e históricos do dia a dia.”

Charles William Morris

“Já a semiologia psicopatológica, por sua vez, é o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais.”
O estudo de sinais e símbolos (signos) como importantes na detecção da patologia grave ou moderada . Classificaria estes sinais em:

1. Estruturais e fisiológicos
“Denominam-se, em medicina e psiquiatria, entidades nosológicas, doenças ou transtornos específicos (como esquizofrenia, doença de Alzheimer, anorexia nervosa, etc.). São os fenômenos mórbidos nos quais podem-se identificar (ou pelo menos presumir com certa consistência) certas causas ou fatores causais (etiologia), o curso relativamente homogêneo, certos padrões evolutivos e estados terminais típicos.”


2. Comportamentais
2.1 Verbais em relação a vocalização
2.2 Verbais em relação a temas
2.3 locomotor

2.4 Preferências
2.4.1 Por assuntos
2.4.2 Por cores
2.4.3 Por locais
2.4.4 Grupo social


Capítulo 2 | Definição de psicopatologia e ordenação dos seus fenômenos (semiologia e propedêutica)

Semiotécnica

Semiotécnica (do grego σημεῖον [semeion], signo e τέχνη [tékne], técnica) é um termo das ciências da saúde para se referir aos métodos para identificar os sinais de uma doença durante um exame físico.”


Semiogênese

As varias causas de psicopatologias e suas diversas manifestações nos falam de universos conjugados que se relacionam na vivência humana.

Pra tanto podemos dividir (apesar da interrelacionalidade ):  

1. Universo fisiológico, doenças, deficiências, acidentes

2. Universo psico-social-familiar

3. Universo espiritual sobrenatural e místico , lembrando aqui os muitos autores que destacam que ciência não deve ter preconceito contra o sobrenatural https://posgenomica.wordpress.com/2020/07/04/a-ciencia-pressupoe-naturalismo-ou-qualquer-coisa/ ?



Capítulo 3 | Os principais campos e tipos de psicopatologia

Interesses em Psicologia: Os principais campos e tipos de psicopatologia

OS PRINCIPAIS CAMPOS E TIPOS DE PSICOPATOLOGIA

PSICOPATOLOGIA DESCRITIVA  Diagnóstica e descritiva  Interessa a forma das alterações psíquicas  Estrutura dos sintomas, a vivência patológica

PSICOPATOLOGIA DINÂMICA  Pessoal e subjetiva  Interessa o conteúdo da vivência  Os movimentos de internos de afetos, desejos e temores

PSICOPATOLGIA MÉDICA  Noção de homem centrada no corpo, no ser biológico e universal  O adoecimento mental é um mau funcionamento do cérebro , uma disfunção do aparelho biológico

PSICOPATOLOGIA EXISTENCIAL  O homem é visto como uma existência singular, lançado a um mundo que é apenas natural e biológico, mas histórico e humano  O ser é construído por meio das experiências particulares de cada sujeito, na relação com os outros e abertura para a construção de cada destino  A doença mental não é vista como disfunção biológica, mas como uma forma trágica de ser no mundo, de construir um destino e doloroso de ser com os outros

PSICOPATOLOGIA COMPORTAMENTAL-COGNITIVISTA  O homem é visto como um conjunto de comportamentos observáveis, verificáveis, regulados por estímulos específicos e gerais, e certas leis e determinantes do aprendizado.  As representações conscientes são essenciais ao funcionamento mental, norma e patológico  Os sintomas resultam de comportamentos e representações cognitivas disfuncionais, aprendidas e reforçadas pela experiência sociofamiliar

PSICOPATOLOGIA PSICANALITICA  O homem é dominado por forças, desejos e conflitos inconscientes  Os afetos dominam o psiquismo  Os sintomas e síndromes mentais são formas de conflitos, desejos não realizáveis e temores que o individuo não tem acesso  Os sintomas são conflitos entre o desejo inconsciente e as normas, permissões culturais e possibilidades de satisfação deste desejo.

PSICOPATOLGIA CATEGORIAL  As entidades nosológicas ou transtornos mentais são entidades individualizadas e bem delimitadas  Configura as patologias como entidades ou categorias diagnósticas diferentes e discerníveis na sua natureza básica.  São espécies únicas cuja identificação precisa seria tarefa da psicopatologia

PSICOPATOLOGIA DIMENSIONAL  Dentro de uma patologia haveria dimensões (graus de valor)  Exemplo de esquizofrenia deficitária à transtornos afetivos menores.

PSICOPATOLOGIA BIOLÓGICA  Enfatiza aspectos cerebrais, neuroquímicos ou neurofisiológicos das doenças e dos mentais.  A base de todo transtorno mental são alterações de mecanismos neurais e de determinadas áreas e circuitos cerebrais.

PSICOPATOLOGIA SOCIOCULTURAL  Os transtornos mentais surgem a partir de fatores socioculturais e os sintomas e transtornos devem ser estudados segundo essa visão, no seu contexto sociocultural, simbólico e histórico.  É nesse contexto de normas, valores e símbolos culturalmente construídos que os sintomas recebem seu significado, e podem ser precisamente estudados.

PSICOPATOLOGIA OPERACIONAL-PRAGMÁTICA  As definições de transtornos mentais e sintomas são formuladas em função de sua utilidade pragmática, clínica ou orientada à pesquisa  Não são questionados a natureza da doença ou sintoma, e tampouco, os fundamentos filosóficos ou antropológicos da definição  Modelo adotado pelas modernas classificações de transtornos mentais: DSM IV (norte americano) e CID-10 (OMS).

PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL  Proposto pelo psicanalista francês Pierre Fedida  Visa centrar a atenção sobre os fundamentos de cada conceito psicopatológico  A noção de doença mental é vista como pathos, que significa sofrimento, paixão e passividade


“Há uma série de correntes na psicopatologia, que abordam de maneiras diferentes a doença mental. Até que ponto isso poder bom ou ruim?

Comparação
1)      Psicopatologia descritiva (ênfase a forma) x Psicopatologia dinâmica (ênfase ao conteúdo)

2)      Psicopatologia médica (noção de homem baseada no corpo, no ser biológico como espécie natural e universal. Doença mental adoecimento do cérebro)x Psicopatologia existencial (modo particular de existência, uma forma trágica de ser no mundo, de construir um destino, um modo particularmente doloroso de ser com os outros)

3)      Psicopatologia comportamental-cognitivista (aborda a psicopatologia a partir de uma dimensão biológica, psicológica e social, o ser humano não é pré-determinado, tem predisposições biológicas e genéticas ao aprendizado, ou seja, considera as atividades cerebrais, que interagem com o social. Os sintomas resultam de cognições disfuncionais, que começam a se delinear na infância (crenças centrais), ou seja, a forma de interpretar as situações são “aprendidas” e atuam como um “óculos” ( o indivíduo coloca o óculos para interpretar as situações). x Psicopatologia psicanalítica (o homem é “determinado”, dominado por forças, desejos e conflitos inconscientes. O sintoma é uma “solução de compromisso” com o que é aceito socialmente e os desejos que não podem ser realizados)

4)      Psicopatologia categorial (fronteira nítida, configurando-os como entidades ou categorias diagnósticas diferentes e discerníveis na sua natureza básica) x Psicopatologia dimensional (seria hipoteticamente a mais adequada à realidade clínica. Não haveria uma classificação dicotômica como na categorial. Sintomas comuns estariam em um espectro)

5)      Psicopatologia biológica (enfatiza aspectos cerebrais, neuroquímicos ou  neurofisiológicos das doenças e dos sintomas mentais) x Psicopatologia sociocultural (comportamentos desviantes que surgem a partir de certos fatores socioculturais, como discriminação, pobreza, migração, etc.)

6)      Psicopatologia operacional pragmática (não são questionadas a natureza da doença ou do sintoma e tampouco os fundamentos filosóficos ou antropológicos de determinadas definições, são exemplos desse modo de abordar a psicopatologia a Cid 10 e DSM-V) x Psicopatologia fundamental (visa centrar a atenção da pesquisa psicopatológica sobre os fundamentos de cada conceito psicopatológico, pode ser transformado em experiência e enriquecimento)”